“Deixar de querer crescer é banir o amor de
nossas vidas.”
Pilar
Luis
Os poetas,
os filósofos e todo ser humano, cuja alma está
viva, sempre falaram do amor.
No
amor se tem visto o mais nobre e grande sentido
que se possa dar à vida.
Mas o que é
o amor?
Qual é a
sua essência?
Todos nós
experimentamos amor, mas o que é exatamente?
As
formas por meio das quais nós experimentamos o
Amor ao longo da vida são múltiplas.
Sentimos
amor por aqueles que são mais novos e mais
frágeis do que nós e a quem pudemos dar o melhor
de nós mesmos; por aqueles que são mais velhos e
que deram o melhor de si mesmos; pelos que são
nossos iguais, os amigos de alma e os parceiros
com os quais crescemos. Devemos amar a nós
mesmos.
E também
amamos o grande e o eterno, a Natureza que nos
envolve, o Mistério do qual fazemos parte e as
respostas do ser humano para ele mesmo: as
ciências, as artes, a mística e a filosofia.
Para
responder às perguntas mencionadas sobre o
amor, recorramos a Platão.
No diálogo
do Banquete ele pôs nos lábios da sacerdotisa
Diotima um belo mito que nos aproxima da
essência do amor.
Quando
Afrodite (Deusa Grega da Beleza) nasceu, os
deuses celebraram com uma grande festa. Entre
eles se encontrava Poros (símbolo da
abundância). Depois do jantar, Penia (símbolo da
pobreza) se apresentou pedindo algumas migalhas,
sem ousar passar da porta.
Naquele
momento, Poros, embriagado de néctar, saiu da
sala e entrou no jardim de Zeus, onde o sono não
tardou a chegar. Penia teve a ideia de ter um
filho de Poros; deitou-se ao seu lado e foi mãe
de Eros (o Amor).
Como filho
de Poros (a abundância), teve como herança ser
encantador, valente, perseverante, engenhoso e
generoso.
Como filho
de Penia (a pobreza), sempre está procurando
algo para suprir o que lhe falta, pois, o amor
também é expressão de carência.
O
mito nos ensina que o amor é uma força
intermediária entre o mundo de seu pai, o mundo
do eterno, do perfeito, dos arquétipos onde não
só reside, para Platão, o Belo, mas também o
Bom, e a Sabedoria, e o mundo de sua mãe, do que
é passageiro, mutável, carente, imperfeito no
qual nos movemos.
O
amor é então um laço que une o grande e o
pequeno, o perfeito e o imperfeito, o diferente,
de um modo geral.
De um ponto
de vista mais geral, sempre que dois elementos
estão unidos, não é incorreto dizer que existe
amor entre eles, que se buscam, que se
complementam.
A relação
que Platão faz entre o amor e Poros, a
abundância, não nos surpreende, porque todos nós
sabemos que o amor é generoso, valente, que para
ele não existem limites. Mas, por outro lado,
pode nos surpreender o parentesco do amor com
Penia, a pobreza. Mas é muito certeira essa
explicação porque realmente amamos, procuramos,
o que não temos. Sentir amor é ser consciente de
nossas carências, do que nos falta. Amar é
procurar a própria completude.
Mas há um
terceiro elemento no mito que é fundamental.
Eros sempre acompanha Afrodite, a Deusa da
Beleza e da Harmonia.
O
amor sempre procura o Belo, o Bom, o Justo, o
sublime, e por isso a consequência imediata do
amor é a transformação, o crescimento, porque é
uma força, um vetor que aponta para cima, para
as estrelas.
O
fruto do verdadeiro amor é o crescimento.
Assim, para
sabermos se uma relação é de amor,
perguntamo-nos:
Existe
verdadeira doação generosa?
Existe
recepção?
Existe
crescimento, transformação?
Se
for assim, estamos ante um verdadeiro laço de
amor, senão só estamos ante a sua sombra.
adaptação
do texto de Pilar L
uís
Nova
Acrópole
Vídeo: AMOR
Segundo Gibran - Série "O Profeta" - Lúcia
Helena Galvão "O
Profeta", de Khalil Gibran, reúne poesias muito
belas e cheias de sabedoria sobre todos os temas
importantes da vida. A ideia desta série é
refletir um pouco sobre os conceitos tratados,
para tornar a nossa vida mais válida e profunda!
Música: Khatia
Buniatishvili plays Liebestraum No. 3 from Franz
Liszt | Verbier Festival 2011Liebestraum
No. 3" de Franz Liszt (Sonho de Amor) é uma de
suas peças para piano mais famosas e amadas.
Composta em 1850, é a terceira de um conjunto de
três noturnos, ou "Liebesträume", que se traduz
como "Sonhos de Amor". Essas peças foram
originalmente escritas para voz e piano, com
poemas de Ludwig Uhland e Ferdinand Freiligrath,
e posteriormente arranjadas para piano solo.
Podcast: As
Ideias do amor, encontradas no Banquete de
PlatãoNeste
podcast, José Roberto e Danilo Gomes abordam a
Obra O Banquete de Platão tratando dos
diferentes níveis do Amor, e ainda, em quais
destes níveis podemos nos aprofundar.
Livro:O
pequeno livro do amor de
Khalil Gibran Com
uma escrita simples, mas ao mesmo tempo sensível
e significativa, O pequeno livro do amor
reflete as diversas faces e fases do amor.
Gibran trabalha com a ideia de amor revelado e
velado, de uma verdadeira casa de espelhos que
influencia nossos relacionamentos. O autor
mostra com delicadeza a visão médio-oriental de
que o amor pode levar alguém a uma compreensão
muito maior da vida.
Livro:O
Banquete de
PlatãoPlatão,
ícone da filosofia ocidental, apresenta ao
leitor de O Banquete uma das obras-mestras do
clássico pensamento grego acerca do Amor (Eros).
CONFIRA
NOSSA PROGRAMAÇÃO:
Clique aqui para
acessar as edições anteriores da Newsletter