A DEUSA GREGA THEMIS E O PEDIDO
DE VISTA!
Themis não deve estar muito
satisfeita. Afinal, aqui na Terra
seus princípios morais de verdade e
equidade parecem cada vez mais
distantes das decisões humanas.
Mergulhadas nas paixões e interesses
pessoais e de grupos, baseados no
desejo de poder e dinheiro. O que as
distanciam da justiça. E o tempo nos
diz muita coisa. Temos, por exemplo,
um crime violento com a morte por
facadas de um casal e sua empregada,
ocorrido em 2009 – portanto, há 16
anos , nos quais a ré
permaneceu livre. Mesmo após o
julgamento que a considerou culpada,
com pena de mais de 60 anos. Na
semana passada, seis anos após
este julgamento, a Sexta Turma do
Superior Tribunal de Justiça (STJ),
iria analisar o recurso da defesa.
Mas o Presidente e Ministro da
Corte, Dr. Sebastião Reis, entrou
com pedido de vista. O que significa
um pedido de cópia do processo para
estudos mais aprofundados. Em caso
tão antigo?
É importante lembrarmos o artigo 5
inciso LXXVII da Constituição
Federal, que assegura a todos uma
duração razoável do processo. Além
de garantir os meios que promovam a
celeridade de sua tramitação.
Independentemente de sua natureza:
se judicial ou administrativo. Com o
objetivo de assegurar o direito de
resolução no tempo possível,
atendendo aos interesses e desejos
dos envolvidos. A principal parte
envolvida está morta: os pais da ré.
Mas existem, sobretudo, o direito e
a exigência da sociedade para que a
Justiça seja feita.
Os princípios do Direito afirmam que
o pedido de vistas não deve ser
usado como pretexto para adiar
indefinidamente a duração do
processo. Há tempo determinado para
que ele retorne, dando continuidade
ao julgamento. No caso em questão,
determinaram 60 dias podendo ser
prorrogado por mais trinta. Tempo no
qual o processo permanecerá
paralisado. O relator, Ministro
Rogério Schietti, votou pela
manutenção da condenação e prisão
imediata da ré. O promotor Marcelo
Leite do Ministério Público do DF (MPDF)
afirmou que nada poderia levar à
anulação do processo, dadas as
provas apresentadas. No entanto,
enquanto os assassinos permanecem na
prisão desde os primeiros momentos
da investigação, a ré continua
livre, por mais de 16 anos.
Ressaltando-se a diferença de classe
social e posses entre assassinos e a
provável mandante.
Muitos casos ilustram como a Justiça
é tratada no Brasil. Por exemplo,
não se tem notícia se todos os casos
de corrupção com as emendas
parlamentares serão investigados. Os
80 com o Ministro Flávio Dino (STF)
estão andando. Com eles os kits de
informática para escolas sem luz?
Por outro lado, não se ressente a
alma dos cidadãos ao ver os
parlamentares usarem recursos
públicos para promoção pessoal
através das emendas? Que são na
verdade propaganda eleitoral
gratuita? O valor destinado em 2025
pode ser maior do que os R$ 53 bilhões
previstos para 2024. E
deveriam estar no Orçamento Federal
deste ano, onde faltam recursos para
os Programas de governo destinados
aos mais pobres. E não esqueçamos os
Fundos Partidário e Eleitoral. Os
parlamentares simplesmente nada
precisam fazer para administrarem
seus Partidos e campanhas
eleitorais. Financiados que são,
anti democraticamente, por nossos
impostos.
Mas falemos também dos supersalários
que se multiplicam. Muitos no
Judiciário, em cujas fileiras
estavam aqueles que queriam R$ 10
mil reais para a ceia de NATAL. Ou
as despesas desnecessárias do
pessoal do Executivo, confiando na
dificuldade de fiscalização. Sem o
pudor necessário de gastar tanto em
um país reconhecidamente líder em
injustiça social. Ver as pessoas
catando comida em lixo, morando em
casebres, crianças com fome e sem
assistência médica ou remédios, nada
disso representa algo para as
classes no poder. Na verdade, no
entanto, é como se nossa pátria
morresse todo dia.
Talvez porque tenhamos pouco amor
pelo Brasil ou pela Justiça. Mas
assim diz Vinícius: “Não te direi o
nome, pátria minha/ Teu nome é
pátria amada, é patriazinha/ Não
rima com mãe gentil/Vives em mim
como uma filha, que és/ Uma ilha de
ternura: a ilha/ Brasil, talvez”.
Ou como Malcolm X ao falar de
verdade e justiça: “Sou pela
verdade, não importa quem o diga.
Sou pela Justiça não me importa de
quem ou contra quem ``. (03/2025/
luiza) Informações em: fazdireito.blog.br e
Blog LFG.