“Devemos recobrar nossa própria identidade e
trabalhar sobre nós mesmos e fora, de maneira
heroica, tratando de nos acercar dos Deuses de
todas as maneiras possíveis."
Jorge
Angél Livraga
Em uma
época próspera em heróis do cinema, criaturas
fortes, invencíveis e de natureza indomável,
acredito que vale a pena refletirmos sobre o que
nos fascina nesses seres fantásticos, com os
quais nossa fantasia voa, mas nos quais
normalmente (e talvez infelizmente) não podemos
acreditar.
Os antigos
gregos, os pais de nossa civilização, diziam que
os heróis eram filhos da união entre deuses e
homens, ou seja, uma mescla entre o divino e o
humano, e portanto, trazem em si parte da
natureza de ambos.
Mas juntamente com seus poderes incríveis e sua
força de vontade sobre-humana, os acompanham
sempre inimigos terríveis, às vezes monstruosos
e também superpoderosos, e ainda..., algumas
fraquezas, resultado de seu parentesco conosco.
Não
podemos, para ser sensatos, acreditar realmente
que heróis assim sejam possíveis, ainda mais os
que são hoje apresentados no cinema. Mas como
filósofo, acredito que tudo tem um propósito,
uma razão de ser, e que se os velhos gregos
conseguiram conquistar a coroa de louros ao ser
vitoriosos não apenas contra seus inimigos
naturais, os persas, mas também contra o tempo,
estando presentes até hoje em nossa cultura
(língua, hábitos, arquitetura, etc.). Então,
como civilização, eles conseguiram ser como seus
velhos heróis, que para nós hoje são apenas
entretenimento, mas que para eles foram motivo
de inspiração.
Talvez, os heróis não tenham nascido apenas para
nos dar asas à imaginação, mas para que nossa
imaginação, inspirada pela elevada nobreza de
seu aspecto divino, possa nos guiar a ser mais
do que a princípio acreditamos que podemos ser.
E
até mesmo suas fraquezas, que no cinema sempre
nos deixam angustiados ante a possibilidade de
que ele não consiga resistir ao inimigo, vêm nos
mostrar que, justamente, ser heróico é ser capaz
de ser vitorioso apesar das debilidades, sem as
quais ele já não seria um herói, mas sim um
deus, não sendo assim muito útil como modelo de
inspiração, ao estar, por demais, distante de
nossa realidade humana.
Dizem que numa certa ocasião, 300 gregos,
liderados por seu rei, Leônidas, conseguiram
derrotar mais de 20 mil persas num combate, em
igualdade de condições. E que por causa deste
feito, a antiga Pérsia não conseguiu invadir a
Europa, impedindo-os de levarem sua cultura ao
mundo ocidental. E que se não fosse a decisão
daquele rei, e a força incrível daqueles
guerreiros, talvez hoje falássemos algum idioma
árabe, e vivêssemos os costumes orientais. A
decisão de um homem, aliada à vontade de 300
outros, determinou a história do mundo
ocidental.
Para mim, isso nos mostra que não são apenas os
grandes movimentos coletivos que determinam a
história, mas também, as decisões que tomamos
cotidianamente. E também ainda, que um povo não
precisa ter seus heróis apenas na literatura (ou
em nosso caso, nas telas), mas também em si
mesmos.
Ao caro
leitor, fica o convite à reflexão sobre o herói
que pode encontrar aí mesmo, dentro de você.
Não o herói
do cinema, mas o que vai ao trabalho todos os
dias, que cuida de casa, estuda, educa os
filhos, ama, crê, duvida, ri, chora...
Que
tal ser heroico, em sua medida?
Que
tal fazer, o que quer que faça, tendo em vista
que são os seus atos os que, afinal,
determinarão sua existência?
Que
são as suas ações, ao final, as que dirão quem
somos nós, o que podemos, quem fomos...
Quem é você?
Livro: Portões
de Fogo de
Steven PressfieldO
rei Xerxes comanda dois milhões de homens do
Império Persa para invadir e submeter a Grécia.
Em uma ação suicida, uma pequena tropa de 300
temerários espartanos segue para o desfiladeiro
das Termópilas para impedir o avanço inimigo.
Eles conseguem conter, durante sete dias
sangrentos, as tropas invasoras. No fim, com
suas armas estraçalhadas, arruinadas na matança,
lutam “com mãos vazias e dentes”. Relatados
diretamente ao rei pelo único sobrevivente
grego, os fatos são apresentados ao leitor de
maneira vívida e envolvente. Mais do que somente
com a batalha, o leitor entra em contato direto
com o modo de vida desses antigos guerreiros,
sua rotina, seus valores, sua coragem, seus
ideais. A narrativa empolgante de Steven
Pressfield recria, assim, a épica Batalha de
Termópilas, unindo, com habilidade, História e
ficção.
Livro:O
Herói de Mil Faces de
Joseph Campbellé
um consagrado livro escrito pelo mitólogo Joseph
Campbell, que dedicou sua vida ao estudo
apaixonado da mitologia presente em inúmeras
civilizações ao longo da História. Da criteriosa
comparação de seus elementos Campbell deduz um
modelo do caminho a ser perseguido pelo homem em
busca de sua perfeição. Foi graças à sua
orientação que George Lucas consegue dar à saga
Guerra nas Estrelas tanta consistência e
inspiração heróica a seus admiradores.
Vídeo: A
Jornada do HeróiNeste
vídeo, a professora Renata Peluso nos apresenta
a Jornada do Herói por meio da mitologia.
Música: Gustavo
Dudamel - Beethoven: Symphony No. 3 - Mvmt 1
(Orquesta Sinfónica Simón Bolívar)Neste
vídeo, o maestro Gustavo Dudamel comanda a
Orquestra Sinfônica Simón Bolívar da Venezuela.
Uma apresentação da 3ª Sinfonia de Beethoven,
também conhecida por Eroica. Em Eroica,
Beethoven explora aspectos universais do
heroísmo, centrados na ideia de um confronto com
a adversidade que leva finalmente a uma
renovação de possibilidades criativas segundo
alguns estudiosos das obras deste grande músico.
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