MAIS UMA VEZ – EMENDAS!
Segundo o presidente do Congresso em
declaração que saiu no Correio
Braziliense de hoje (21/03): “são
deputados e senadores dos rincões deste
país de dimensões continentais que sabem
o que acontece nos municípios
brasileiros, o drama nas cidades e nos
estados socorridos, muitas vezes pelas
emendas parlamentares, destinadas muitas
vezes por deputados e senadores.”
Primeiramente, com a devida vênia e
salvo engano, somente deputados e
senadores destinam emendas. Em segundo
lugar, há um superdimensionamento do
conhecimento dos parlamentares sobre os
lugares para os quais destinam suas
emendas. O que desvaloriza o
conhecimento dos Prefeitos. Como se eles
não tivessem capacidade de exercerem a
sua função de administrador sem a
expertise dos parlamentares. Prefeitos e
suas equipes que vivem em
suas cidades. Em terceiro lugar, é
preciso conhecer o que é gasto com as
emendas. Segundo a Emenda Constitucional
126/22, cada deputado receberia R$
32.103.402 milhões e cada senador R$
59.028.836 milhões. Neste ano de 2025, o
total destinado para as emendas em geral
é de R$ 50.5 bilhões. Sendo R$ 39
bilhões para as individuais,
impositivas. E R$ 11 bilhões para as de
outros tipos como as de bancada e
relator. Lembrando que o Fundo
Partidário aumentou também - para R$ 1
bilhão e 100 milhões.
Lembremos que o Executivo opera com
restrições orçamentárias e tem
possibilidades de gastar 1/12 do valor
previsto na Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO). Um grande desafio
para o governo na execução dos Programas
Sociais. Assim, por exemplo, retiraram
84% da Lei Aldir Blanc de promoção da
política cultural do país. E diminuíram
o valor destinado ao Bolsa Família.
Enquanto isso, o salário dos deputados e
senadores é de R$ 39.293.32 mil; a verba
indenizatória de R$ 23 mil a R$ 34 mil a
depender do estado de origem do
parlamentar; verba de gabinete para
contratação de pessoal diretamente pelo
parlamentar de R$ 133.170.54. Verba esta
relacionada ontem e não sei se hoje, às
famosas rachadinhas: os parlamentares
retiravam parcelas dos salários dos
servidores que contratavam. Portanto, se
somarmos as parcelas recebidas por 513
deputados federais o total gasto com
cada parlamentar é de R$ 195.567,26 mil.
Levando em conta o menor valor para
verba indenizatória. E mais R$
32.103.402 milhões em emendas. Não foi
feito o cálculo para os 81 senadores que
recebem um valor maior de emendas, de R$
59.038. 836.
Como considerarmos que vivemos em uma
democracia, com justiça social? Quanto
às emendas - elas são uma afronta a tudo
isto. Em um país no qual encontramos
pessoas revirando o lixo para comer em
plena capital da República. E no qual
uma casta é dona de tantos privilégios,
incluindo o de influenciar a construção
de obras. No entanto, as obras precisam
de emendas? Se elas são realmente
importantes já estão no cronograma de
qualquer governo. Se faltam verbas, não
é gastando com emendas que a situação se
resolve. Ao contrário, aprofunda o poço
das despesas orçamentárias. Há formas
mais civilizadas de organizar e motivar
a comunidade a lutar pela solução de
suas necessidades. E os parlamentares
inteligentes e honestos lucrariam muito
se estivessem atentos. Incluindo ações
junto ao próprio governo. Por outro
lado, é profundamente suspeito ao
eleitor as objeções dos parlamentares
quanto a atender as exigências dos
critérios constitucionais de
transparência e rastreabilidade no
encaminhamento das emendas. Esconder
recursos próprios já é crime. Esconder
em uma névoa escura recursos públicos é
crime hediondo. O que talvez explique o
histórico de corrupção.
Lembrando que emendas são objeto de
chantagem para a aprovação de projetos
de governo. Independentemente do valor
de cada projeto para a população. Com as
emendas os parlamentares posam ainda de
benfeitores de suas comunidades,
aumentando seu poder político, enquanto
seu nome aparece nas placas de
inauguração, permanentemente lembrados.
Tudo financiado com nossos impostos.
Majoritariamente da classe média e
pobre. Relembrando que emendas estão
historicamente relacionadas à corrupção.
Dados atuais dão conta de que o Supremo
Tribunal Federal tem hoje 80 casos sob
investigação. Investigação que
desagradou profundamente ao Parlamento.
Como se estivessem livres das mãos da
Justiça. E é tamanho o valor de nossos
impostos destinados às emendas que
somente o líder do PL na Câmara, o sr.
Sóstene Cavalcante (PL-RJ), reclamava
ter R$ 20 milhões por receber.
Dizem os estudiosos que as democracias
morrem por várias causas. Uma delas o
fracasso das políticas públicas, que
devem atender às necessidades do povo.
Políticas cuja fiscalização é uma função
do Parlamento. Por este motivo e por
causa da corrupção endêmica, a esperança
nacional, ao contrário do que dizem, é
a primeira a morrer. Quando vemos a
dilapidação dos nossos recursos assim
como o silêncio da passividade dos
inocentes. Deveríamos ter coragem de
lutar pela extinção das emendas
parlamentares. (3/2025/luiza)