Theresa Catharina de Góes Campos

 

 

 
Nova Acrópole: Hoje Vi o Mar...

De: Nova Acrópole 
<propaganda@acropolebrasil.com.br>
Date: seg., 24 de mar. de 2025 
Subject: #148 – Hoje Vi o Mar...
To: <
theresa.files@gmail.com>

 

“Você não pode cruzar o mar apenas ficando em pé e olhando para a água." 

 Rabindranath Tagore

  

A mesma imagem, com sua ondulada maiúscula, da Mater, a Mãe - Maya, Maria - refletida na Matéria Primordial e aquosa que encerra em seu seio profundo a origem recôndita das mais primitivas formas de vida.

Dizem que a Natureza guarda símbolos como para despertar a alma adormecida dos homens. E vendo o Mar compreendi que isto é certo.

Há milhões de anos se relacionou ao Mar com a Matéria primeira, com o protótipo caótico da existência horizontal que somente adquire sentido quando é impactada por um impulso vertical.

E hoje vemos o Mar, desde as mais diversas orlas, e ele nos segue sugerindo idênticos enigmas.

Segundo os filósofos, o Tempo é a imagem móvel da Eternidade, então o Mar é Tempo. Há em seu movimento contínuo a mesma raiz que leva ao homem ir evoluindo de minuto em minuto, sem cessar jamais, sem assemelhar-se a outro, porém sem deixar tampouco de assemelhar-se. Não há duas ondas que resultem idênticas, nem dois estalos de espuma que se igualem...

Segundo os filósofos, a mudança contínua é a imagem feminina da Natureza, a imagem da ilusão na qual nos desenvolvemos, então o Mar é feminino...

Suas mudanças são imprevisíveis, e a maravilha de suas mil variadas formas, supera os mais atrevidos prognósticos.

Suas múltiplas cores tem a intriga do olhar da mulher - a Mater Matéria - que oscila desde os mais puros azuis, passando pelos exóticos verdes, até chegar aos mágicos e densos cinzas nebulosos. E, sem dúvida, a água, entre os dedos, é transparente... Por isso é ilusão.

Sim, segundo os filósofos, a força é o símbolo masculino da Natureza, então o Mar é tão forte como um homem, com seus bravos braços de espuma, poderosos em sua côncava curva, capazes de arrasá-lo todo e levá-lo consigo para suas moradas profundas.

Sim, segundo os poetas, viajar é conhecer, e conhecer é descobrir segredos da Natureza, então o Mar é um viajante incansável que, diariamente vem e vai de uma borda a outra do mundo, trazendo em seus brancos dedos o testemunho presencial dos cantos pelo qual tem passado.

Sim, segundo os poetas, a generosidade é a qualidade do coração sempre aberto disposto a receber dores e transformá-las em sorrisos, então o Mar é generoso. Ele recebe por igual a todos os rios do mundo, que lhe buscam infatigáveis para pedir repouso e consolo em seus abismos. Ele cobre, estético e poderoso, as fealdades do velho e morto, lavando com sais brilhantes o perene e jovem.

Sim, segundo os poetas, as gotas de chuva são lágrimas do céu, o Mar é pranto e é céu, pois levanta de sua massa poderosa o chamado do vapor que sobe buscando alturas, e não tendo alcançado a morada dos Deuses, retorna chorando a contar sua nostalgia metafísica.

Sim, segundo os homens, é necessário construir pontes para criar uniões, então o Mar é pontífice de estranha cerimônia, relacionando os mundos e civilizações, portando ideias e homens, embarcações e sonhos, derrotas e conquistas.

E enquanto isto acontece, o Mar guarda em seu seio a recordação palpitante de tempos pretéritos, zeloso de seus segredos que somente os participa quando, chegado o momento, o homem não somente o busque em procura de tesouros, senão que de sabedoria.

E é então, quando o homem, graças ao Mar, a Mater, é também poeta e filósofo.

 Delia Steinberg Guzmán

Texto adaptado


 

                                                         

         

    

 

Vídeo: Debussy, El Mar (La Mer) - Orquesta Sinfónica de Minería Neste vídeo,  é possível assistir à apresentação da obra de Claude Debussy - “O Mar”.  La Mer, como é mais conhecida, a obra começou a ser elaborada em setembro de 1903, na Borgonha. Ele continuou a trabalhar nela em Paris, e a concluiu em Eastbourne, Inglaterra, às margens do Canal da Mancha, no dia 5 de março de 1905. Segundo o autor, que era um enamorado do mar, a obra não é uma composição sobre o mar, mas sim sobre lembranças e sentimentos que evocam o mar. 

Livro: Mar sem Fim de Amyr Klink A viagem relatada em Mar sem fim começa numa data curiosa: 31 de outubro de 1998, Dia das Bruxas. Foi nesse dia que Amyr Klink deixou a mulher, Marina, e as filhas em Paraty, decidido a realizar o grande projeto de sua vida: sua primeira volta ao mundo, realizada nas águas da Convergência Antártica - notável e precisa fronteira entre as águas frias do Norte e as águas geladas da Antártica. Ali estão os mares mais perigosos do planeta. Um percurso considerado um desafio, mesmo com os equipamentos sofisticados da navegação moderna. Amyr foi o primeiro a realizá-lo, navegando sozinho no veleiro Parati.Foram 141 dias no mar. 

Vídeo: Mitos e Mistérios do Oceano Neste vídeo, é possível assistir à conferência dada pela 

professora Françoise Terseur, co-fundadora da Nova Acrópole em Portugal, que aborda os aspectos da água e os mistérios do oceano.

Vídeo: Cem dias entre céu e mar - comentários filosóficos sobre o livro. Neste vídeo, a professora Manuela Bittar  tece comentários sobre o livro Cem dias entre Céu e Mar de Amyr Klink e aborda, sob uma perspectiva filosófica, o conteúdo humano e de autoconhecimento trazido pelo autor, fruto de sua aventura. Paralelos com os desafios, tempestades, grandes ondas e marolas nos desafios que passamos em nossas vidas. Também os princípios que fundamentam o sucesso da sua empreitada.

Livro: Cem dias entre céu e mar  de Amyr Klink Navegando ao lado dos peixes, entretendo conversas com gaivotas e tubarões, remando no meio de uma creche de baleias, Cem dias entre céu e mar é o relato de uma travessia absolutamente incomum: mais de 3500 milhas (cerca de 6500 quilômetros) desde o porto de Lüderitz, no sul da África, até a praia da Espera no litoral baiano, a bordo de um minúsculo barco a remo. Verdadeira odisséia moderna, neste livro Amyr Klink transporta o leitor para a superfície ora cinzenta, ora azulada do Atlântico Sul, tornando-o cúmplice de suas alegrias e seus temores, ao mesmo tempo em que narra, passo a passo, os preparativos, as lutas, os obstáculos e os presságios que cercaram a extraordinária viagem.

 

 

 

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