“Você não pode cruzar o mar apenas
ficando em pé e olhando para a água."
Rabindranath Tagore
A mesma
imagem, com sua ondulada maiúscula, da Mater,
a Mãe - Maya, Maria - refletida na Matéria
Primordial e aquosa que encerra em seu seio
profundo a origem recôndita das mais
primitivas formas de vida.
Dizem
que a Natureza guarda símbolos como para
despertar a alma adormecida dos homens. E
vendo o Mar compreendi que isto é certo.
Há
milhões de anos se relacionou ao Mar com a
Matéria primeira, com o protótipo caótico da
existência horizontal que somente adquire
sentido quando é impactada por um impulso
vertical.
E hoje
vemos o Mar, desde as mais diversas orlas, e
ele nos segue sugerindo idênticos enigmas.
Segundo os filósofos, o Tempo é a
imagem móvel da Eternidade, então o Mar é
Tempo. Há em seu movimento contínuo a mesma
raiz que leva ao homem ir evoluindo de
minuto em minuto, sem cessar jamais, sem
assemelhar-se a outro, porém sem deixar
tampouco de assemelhar-se. Não há
duas ondas que resultem idênticas, nem dois
estalos de espuma que se igualem...
Segundo
os filósofos, a mudança contínua é a imagem
feminina da Natureza, a imagem da ilusão na
qual nos desenvolvemos, então o Mar é
feminino...
Suas
mudanças são imprevisíveis, e a maravilha de
suas mil variadas formas, supera os mais
atrevidos prognósticos.
Suas
múltiplas cores tem a intriga do olhar da
mulher - a Mater Matéria - que oscila desde
os mais puros azuis, passando pelos exóticos
verdes, até chegar aos mágicos e densos
cinzas nebulosos. E, sem dúvida, a água,
entre os dedos, é transparente... Por isso é
ilusão.
Sim, segundo os filósofos, a força é
o símbolo masculino da Natureza, então o Mar
é tão forte como um homem, com seus
bravos braços de espuma, poderosos em sua
côncava curva, capazes de arrasá-lo todo e
levá-lo consigo para suas moradas profundas.
Sim, segundo os poetas, viajar é
conhecer, e conhecer é descobrir segredos da
Natureza, então o Mar é um viajante
incansável que, diariamente vem e
vai de uma borda a outra do mundo, trazendo
em seus brancos dedos o testemunho
presencial dos cantos pelo qual tem passado.
Sim, segundo os poetas, a
generosidade é a qualidade do coração sempre
aberto disposto a receber dores e
transformá-las em sorrisos, então o Mar é
generoso. Ele recebe por igual a
todos os rios do mundo, que lhe buscam
infatigáveis para pedir repouso e consolo em
seus abismos. Ele cobre, estético e
poderoso, as fealdades do velho e morto,
lavando com sais brilhantes o perene e
jovem.
Sim, segundo os poetas, as gotas de
chuva são lágrimas do céu, o Mar é pranto e
é céu, pois levanta de sua massa
poderosa o chamado do vapor que sobe
buscando alturas, e não tendo alcançado a
morada dos Deuses, retorna chorando a contar
sua nostalgia metafísica.
Sim, segundo os homens, é necessário
construir pontes para criar uniões, então o
Mar é pontífice de estranha cerimônia,
relacionando os mundos e civilizações,
portando ideias e homens, embarcações e
sonhos, derrotas e conquistas.
E
enquanto isto acontece, o Mar guarda
em seu seio a recordação palpitante de
tempos pretéritos, zeloso de seus segredos
que somente os participa quando, chegado o
momento, o homem não somente o busque em
procura de tesouros, senão que de sabedoria.
E é
então, quando o homem, graças ao Mar, a
Mater, é também poeta e filósofo.
Delia
Steinberg Guzmán
Texto
adaptado
Vídeo: Debussy,
El Mar (La Mer) - Orquesta Sinfónica de
MineríaNeste
vídeo, é possível assistir à apresentação
da obra de Claude Debussy - “O Mar”. La
Mer, como é mais conhecida, a obra começou a
ser elaborada em setembro de 1903, na
Borgonha. Ele continuou a trabalhar nela em
Paris, e a concluiu em Eastbourne,
Inglaterra, às margens do Canal da Mancha,
no dia 5 de março de 1905. Segundo o autor,
que era um enamorado do mar, a obra não é
uma composição sobre o mar, mas sim sobre
lembranças e sentimentos que evocam o mar.
Livro: Mar
sem Fim de
Amyr KlinkA
viagem relatada em Mar sem fim começa numa
data curiosa: 31 de outubro de 1998, Dia das
Bruxas. Foi nesse dia que Amyr Klink deixou
a mulher, Marina, e as filhas em Paraty,
decidido a realizar o grande projeto de sua
vida: sua primeira volta ao mundo, realizada
nas águas da Convergência Antártica -
notável e precisa fronteira entre as águas
frias do Norte e as águas geladas da
Antártica. Ali estão os mares mais perigosos
do planeta. Um percurso considerado um
desafio, mesmo com os equipamentos
sofisticados da navegação moderna. Amyr foi
o primeiro a realizá-lo, navegando sozinho
no veleiro Parati.Foram 141 dias no mar.
professora Françoise Terseur, co-fundadora
da Nova Acrópole em Portugal, que aborda os
aspectos da água e os mistérios do oceano.
Vídeo:Cem
dias entre céu e mar - comentários
filosóficos sobre o livro.Neste
vídeo, a professora Manuela Bittar tece
comentários sobre o livro Cem dias entre Céu
e Mar de Amyr Klink e aborda, sob uma
perspectiva filosófica, o conteúdo humano e
de autoconhecimento trazido pelo autor,
fruto de sua aventura. Paralelos com os
desafios, tempestades, grandes ondas e
marolas nos desafios que passamos em nossas
vidas. Também os princípios que fundamentam
o sucesso da sua empreitada.
Livro:Cem
dias entre céu e mar de
Amyr KlinkNavegando
ao lado dos peixes, entretendo conversas com
gaivotas e tubarões, remando no meio de uma
creche de baleias, Cem dias entre céu e mar
é o relato de uma travessia absolutamente
incomum: mais de 3500 milhas (cerca de 6500
quilômetros) desde o porto de Lüderitz, no
sul da África, até a praia da Espera no
litoral baiano, a bordo de um minúsculo
barco a remo. Verdadeira odisséia moderna,
neste livro Amyr Klink transporta o leitor
para a superfície ora cinzenta, ora azulada
do Atlântico Sul, tornando-o cúmplice de
suas alegrias e seus temores, ao mesmo tempo
em que narra, passo a passo, os
preparativos, as lutas, os obstáculos e os
presságios que cercaram a extraordinária
viagem.
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