Theresa Catharina de Góes Campos

 

 

 
EXTINÇÃO DAS EMENDAS ! - LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO




De: LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO <luizaccardoso@gmail.com>
Date: seg., 29 de dez. de 2025
Subject: emendas

EXTINÇÃO DAS EMENDAS!

O Congresso Nacional com sua capacidade de atuar no Orçamento Federal, na criação de despesas e sua ordenação, criou uma espécie de escudo protetor infinito. De tal modo que os Partidos existem unicamente para servirem de câmara de discussões, nas quais se sentam confortavelmente e sem maiores responsabilidades chefias e participantes. Nada de despesas ou esforços de administração de recursos, de modo a atender às necessidades de campanhas eleitorais ou da vida cotidiana das lides partidárias. Ao contrário, nas costas dos contribuintes ficam os Fundos Partidário e o Eleitoral e, por fim, as emendas parlamentares. Cujo valor total anual é tão alto que se constitui maior do que o destinado a alguns ministérios. Servindo ainda de moeda de troca. Diante da qual devíamos nós, eleitores, perguntar: qual a dignidade e o valor de um voto trocado por benefícios, inclusive financeiros? Esta é a questão ética básica, porque estamos lidando com recursos dos contribuintes que ficam em mãos dos parlamentares unicamente para fins eleitoreiros. É, antes de mais nada, a propaganda política que está em jogo e não benfeitorias para a comunidade.

O valor dedicado às emendas parlamentares no ano de 2025 foi de R$ 50.379 bilhões de reais. Em 2026 será de R$ 61bilhões. Enquanto isso, de acordo com Daniel Weterman em seu artigo sobre as despesas de governo, os orçamentos dos seguintes ministérios em 2025 foram os seguintes: Agricultura e Pecuária R$ 2.882; Ciência, Tecnologia e Inovação R$ 10.202; Educação R$ 31.969; Saúde 34.803; Vigilância Sanitária R$ 239; Saúde Suplementar 124. Demonstrando que mesmo em relação aos ministérios de alta importância como Educação e Saúde, o valor para as emendas parlamentares é bem maior.

O Congresso se tornou uma espécie de parasita da Nação. Os Partidos não mais trabalham para se manter ou às suas candidaturas. Tudo é bancado por nós, contribuintes. E mais: para ter seus nomes em placas de obras públicas, eles gastam em emendas muito mais do que o orçamento de ministérios ligados à educação e saúde, relacionados ao desenvolvimento da parcela menos privilegiada da população. Lembrando que além do salário, os parlamentares recebem cerca de R$100.000,00 para contratar pessoas para seus gabinetes. Que poderiam empregar em obras. Em lugar da imensa soma das emendas que recebem anualmente.

Importante lembrar que a maioria das emendas não é objeto de avaliação e supervisão técnicas. Muitas são objeto de corrupção. Como em recente caso no qual o parlamentar encaminhava as emendas, mas exigia cerca de 25% de pagamento de volta. Lembrando um movimento encabeçado por Rodrigo Pacheco e Arthur Lira a levarem emendas para pequenas cidades do interior do Brasil. Das quais nem tinham convivência. Dificultando a fiscalização. Reportagem do Correio Braziliense de hoje, 29/12, faz uma extensa exposição sobre o tema. Ressaltando, em muitos casos: a ocorrência de baixa transparência; o fato da responsabilidade acabar diluída em várias instâncias; a ausência de critérios mínimos que possam punir os desvios. Carlos Martins de Freitas do IESP – UERJ ressalta que as emendas “estão diretamente ligadas ao incentivo eleitoral que estrutura o sistema.” Ou seja, nós pagamos a propaganda eleitoral dos parlamentares. E isto é profundamente injusto. E mais, especialistas consideram que o sistema político brasileiro concede poder demais aos congressistas, sem exigir contrapartidas proporcionais de justificativas e controle.

Outros países, segundo a reportagem, adotam critérios mais rígidos para a atuação do Legislativo. E aqui, de fato, reside nossa fragilidade enquanto sociedade. Não contestamos o Legislativo. Permitimos que a estrutura deste poder abuse de privilégios e de recursos. Nosso dinheiro financia partidos, campanhas eleitorais e a permanência dos parlamentares no poder. As emendas facilitam todo o processo. Recursos públicos não são para isto. Em uma sociedade desigual, de extrema pobreza, o objetivo maior é fazer o crescimento econômico chegar aos mais desvalidos. Torná-los cidadãos ativos pela educação, sadios pela saúde, partícipes e não objeto de manobra.

Seja pela imensa destinação de recursos do Legislativo para financiar privilégios, seja por uma pauta distanciada dos desejos da sociedade, seja pela mercantilização vergonhosa das relações políticas pela compra de votos, é preciso dar um basta. Não cabe deixar ao Legislativo utilizar os recursos públicos como um direito inalienável do qual não precisam responder perante à sociedade. Enfraquecendo o planejamento estatal do Orçamento Federal. As emendas parlamentares devem ser extintas. Precisamos destes R$ 61 bilhões para atendermos às necessidades dos mais pobres. Sem a intermediação duvidosa dos parlamentares, mais preocupados com sua permanência em um poder que controlam sem fiscalização. A democracia somente avançará se formos capazes de enfrentar estes desafios. (12/ 2025/ luiza)
 

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