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LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO: SILENCIAMENTO

Em seg., 19 de jan. de 2026 ,
LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO <luizaccardoso@gmail.com>
escreveu:
SILENCIAMENTO
Sim, sem dúvida, vários aspectos, situações e
problemas podem nos fazer submergir no silêncio.
Como se a alma calasse e encontrássemos ao final
um vazio difícil de preencher. Sim, porque
parece que não suportamos vazios. Não aguentamos
o silêncio interior. Que não é quietude, mas
peso emocional. Ao primeiro momento de certa
inquietação nos toma o sentimento de aflição,
certa angústia. Sabemos que há um sofrimento a
nos cercar. Passeando pelos inusitados caminhos
de nossa vida.
As dores físicas e psicológicas juntas nos falam
destes limites, do distanciamento do cotidiano,
da inquietude. Da consciência da brevidade da
vida. De interrogações sem respostas. De
solidão. Que se fazem tão mais presentes quanto
nossa dificuldade de compreender a realidade,
nossas reações, nossos sentimentos. É preciso
saber o que nos toca. Do que fala o nosso corpo
e sua fragilidade. É preciso saber o que estamos
fazendo com este sofrimento.
Mas nada é fácil. Porque são medos, inquietudes,
desconhecimentos. Um caminho longo até chegarmos
mais perto do que estamos vivendo. A doença
apresentando seus limites, os remédios, seus
efeitos. E a realidade feita de claros e
escuros, de dor e questionamentos. O fato é que
se trata da incompletude do que somos, da
relatividade das coisas, de quanto demoramos a
perceber que a vida é passagem. Para o nada. E
mais frágil e breve do que costumamos imaginar.
E não sabemos onde colocar a dor, esta sensação
de estar simplesmente pairando no ar. A depender
do que para nós não tem controle. No entanto, é
preciso estar presente. Mais do que em qualquer
outra situação. Pois estar doente impõe que
estejamos alertas. Que acompanhemos o que se
passa em nosso corpo, as formas como reage aos
medicamentos, aos modos como diz o quanto tudo
pode estar sendo útil. Ou não. A atenção que nos
permite reagir e analisar as soluções. Ou
procurar outras respostas.
Muitas vezes encaramos os doentes com certa
impaciência. Ou a eles dedicamos nossa atenção e
nossos serviços, muitas vezes sem compreendê-los
totalmente. Principalmente no que diz respeito
aos seus sentimentos. Então, a doença pode ser
apenas um episódio na vida do outro, envolvida
nos problemas físicos imediatos. No entanto, a
necessidade de acolhimento e afeto estão
presentes porque a realidade fala de
fragilidade, de limites, de angústia e
desconhecimentos. E de solidão. É, portanto, o
abraço afetuoso, carinhoso e a atenção cuidadosa
que estimulam a força do doente para reagir. Sua
determinação no caminho da cura. (01/2026/luiza) |
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