Theresa Catharina de Góes Campos

 

 

 
LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO: SILENCIAMENTO




Em seg., 19 de jan. de 2026 ,
LUÍZA CAVALCANTE CARDOSO <luizaccardoso@gmail.com> escreveu:

SILENCIAMENTO



Sim, sem dúvida, vários aspectos, situações e problemas podem nos fazer submergir no silêncio. Como se a alma calasse e encontrássemos ao final um vazio difícil de preencher. Sim, porque parece que não suportamos vazios. Não aguentamos o silêncio interior. Que não é quietude, mas peso emocional. Ao primeiro momento de certa inquietação nos toma o sentimento de aflição, certa angústia. Sabemos que há um sofrimento a nos cercar. Passeando pelos inusitados caminhos de nossa vida.

As dores físicas e psicológicas juntas nos falam destes limites, do distanciamento do cotidiano, da inquietude. Da consciência da brevidade da vida. De interrogações sem respostas. De solidão. Que se fazem tão mais presentes quanto nossa dificuldade de compreender a realidade, nossas reações, nossos sentimentos. É preciso saber o que nos toca. Do que fala o nosso corpo e sua fragilidade. É preciso saber o que estamos fazendo com este sofrimento.

Mas nada é fácil. Porque são medos, inquietudes, desconhecimentos. Um caminho longo até chegarmos mais perto do que estamos vivendo. A doença apresentando seus limites, os remédios, seus efeitos. E a realidade feita de claros e escuros, de dor e questionamentos. O fato é que se trata da incompletude do que somos, da relatividade das coisas, de quanto demoramos a perceber que a vida é passagem. Para o nada. E mais frágil e breve do que costumamos imaginar.

E não sabemos onde colocar a dor, esta sensação de estar simplesmente pairando no ar. A depender do que para nós não tem controle. No entanto, é preciso estar presente. Mais do que em qualquer outra situação. Pois estar doente impõe que estejamos alertas. Que acompanhemos o que se passa em nosso corpo, as formas como reage aos medicamentos, aos modos como diz o quanto tudo pode estar sendo útil. Ou não. A atenção que nos permite reagir e analisar as soluções. Ou procurar outras respostas.

Muitas vezes encaramos os doentes com certa impaciência. Ou a eles dedicamos nossa atenção e nossos serviços, muitas vezes sem compreendê-los totalmente. Principalmente no que diz respeito aos seus sentimentos. Então, a doença pode ser apenas um episódio na vida do outro, envolvida nos problemas físicos imediatos. No entanto, a necessidade de acolhimento e afeto estão presentes porque a realidade fala de fragilidade, de limites, de angústia e desconhecimentos. E de solidão. É, portanto, o abraço afetuoso, carinhoso e a atenção cuidadosa que estimulam a força do doente para reagir. Sua determinação no caminho da cura. (01/2026/luiza)
 

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