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Reynaldo Domingos Ferreira comenta:
A Formatura Da Vergonha Nacional, na USP

De: Reynaldo Ferreira <reydferreira@gmail.com>
Date: qua., 28 de jan. de 2026
Subject: Fwd: A Formatura Da Vergonha Nacional,
na USP
A FORMATURA DA VERGONHA NACIONAL, NA USP
Repassando: Belo, importante comentário, de
Amarilio Tadeu Freesz de Almeida, Procurador de
Justiça, aposentado do MPDFT, que nos narra, com
muita propriedade, o episódio ocorrido na
formatura do curso de Direito da USP, o qual,
como observa, não deverá ser estudado, no
futuro, como excelência acadêmica, mas
certamente, como marco da degradação ético-moral
da universidade pública brasileira.
O Procurador trata da lastimável opção do
ministro Alexandre de Moraes de transformar uma
solenidade acadêmica em palco de sua vaidade,
sarcasmo e deboche, ao comentar a condenação por
ele próprio proferida, com a qual fez rir a
plateia - os formandos, em especial -, da
desgraça humana de um idoso, doente, sob a
custódia do Estado.
- Isso não é autoridade, afirma o Procurador. É
soberba!
Para ele, Procurador, como destaca, foi aquele
um espetáculo grotesco de autocomplacência, no
qual o poder se aplaude a si mesmo, sem qualquer
freio moral, sem empatia, sem humanidade.
Mas, o pior, conforme observa o procurador,
foram os aplausos, as gargalhadas.
-Ali ficou claro - diz ele - que a universidade
deixou de formar juristas e passou a fabricar
militantes de toga, adoradores do poder, prontos
a aplaudir qualquer abuso desde que venha do
lado “ certo. “
Leiam agora, na íntegra, o belo trabalho do
Procurador aposentado Amarílio Tadeu F. De
Almeida.
A FORMATURA DA VERGONHA MORAL
Por Amarílio Tadeu Freesz de Almeida
O episódio ocorrido na formatura do curso de
Direito da Universidade de São Paulo deveria ser
estudado no futuro, não como exemplo de
excelência acadêmica, mas como marco da
degradação ética da universidade pública
brasileira.
O ministro Alexandre de Moraes, investido de um
dos cargos mais elevados da República, optou por
transformar uma solenidade acadêmica em palco de
vaidade pessoal, sarcasmo e deboche. Debochou de
um réu que ele próprio condenou. Ironizou uma
decisão que ele mesmo proferiu. Riu, e fez rir,
da desgraça humana de um homem idoso, doente,
sob custódia do Estado. Isso não é autoridade.
Isso é soberba.
Não se tratou de uma aula, nem de um discurso
institucional. Foi um espetáculo grotesco de
autocomplacência, no qual o poder se aplaude a
si mesmo, sem qualquer freio moral, sem empatia,
sem humanidade. Quando um juiz ri do
jurisdicionado, o Direito já morreu. O que resta
é força nua, travestida de toga.
Mas nada, absolutamente nada, foi tão revelador
quanto os aplausos. O entusiasmo juvenil. As
gargalhadas. Ali ficou claro que a universidade
deixou de formar juristas e passou a fabricar
militantes de toga, adoradores do poder, prontos
a aplaudir qualquer abuso desde que venha do
lado “certo”.
Aplausos à humilhação não são neutros. São
escolhas morais. Quem aplaude o escárnio hoje,
amanhã o praticará no balcão do fórum, na sala
de audiência, no gabinete refrigerado. Quem
aprende a rir da dor alheia aprende, com igual
facilidade, a ignorá-la.
O mais estarrecedor é perceber que aqueles
jovens, que em tese estudam Constituição,
dignidade da pessoa humana e devido processo
legal, vibraram não com ideias, mas com a
desumanização. Vibraram não com o Direito, mas
com o poder exercido sem limites.
A universidade, que deveria ser espaço de
pensamento crítico, converteu-se em linha de
montagem ideológica. Não se ensina a pensar,
ensina-se a repetir. Não se ensina a duvidar,
ensina-se a aplaudir. Forma-se não o jurista,
mas o executor obediente do arbítrio.
E então a pergunta deixa de ser retórica e passa
a ser assustadora: que tipo de juízes,
promotores, delegados e advogados estão sendo
gestados nesse ambiente moralmente falido? Que
tipo de Justiça pode surgir de uma geração que
confunde crueldade com virtude e ironia com
inteligência?
O que se viu naquela formatura não foi apenas
uma vergonha acadêmica. Foi um alerta. Um aviso
claro de que, quando o poder passa a rir da
própria brutalidade e a juventude o aplaude, o
Estado de Direito já está em coma. E a toga,
nesse cenário, deixa de ser símbolo de Justiça
para se tornar fantasia de carnaval autoritário.
Amarílio Tadeu Freesz de Almeida
Procurador de Justiça aposentado do MPDFT,
advogado e professor de Direito |
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