|
CRIAR EM MEIO À DESESPERANÇA
CRIAR, realizar, construir,
malgrado a repetição
dos gestos maquinais.
Sonhar, perdoar, mesmo chorando,
apesar da mediocridade
aparentemente onipresente,
falsamente onipotente.
Criar, refazer, renovar, reavivar,
em meio à desesperança,
ao desespero que reaparece,
ao desamor insistente.
Avançar, em meio a tantos perigos.
Rezar, quando a fé vai se apagando.
Criar o bem tão essencial,
nos momentos mais cruéis.
Tudo para que a graça da Fé renasça!
CRIAR: eis a vitória luminosa
dos heróis, santos e poetas!
Theresa Catharina de Góes Campos
Québec - Província de Québec, Canadá,
13/01/1973.
From: artemis
coelho
Date: 2009/1/31
Subject: RE:CRIAR EM MEIO À DESESPERANÇA
To: Theresa Catharina de Goes Campos
Lindo,especialmente "apesar da mediocridade
aparentemente onipresente, falsamente
onipotente".
Artemis
From: Theresa
Catharina de Goes Campos
Date: 2009/2/4
Subject: Obrigada pela sugestão de retirar
"City", deixando apenas "Québec." ref. CRIAR EM
MEIO À DESESPERANÇA
To: adfalcao
Ana,
mais uma vez lhe devo expressar meus
agradecimentos por sua excelente
sugestão - já retirei a palavra "City", deixando
apenas "Québec" (o nome original da cidade, e
não, a versão do nome em inglês, Québec City).
Obrigada.
O poema foi escrito quando completei 28 anos,
estando eu casada há seis meses e grávida de meu
primeiro filho.
De fato, essa coerência de princípios foi
observada por um de meus amigos de longa data -
Áureo César, meu colega de Jornalismo e amigo
desde 1963 -, em dezembro último. A ele dediquei
o poema a seguir, "Sonhos desfeitos não matam
ideais". Lembro que você leu essa poesia.
Reenvio apenas para reforçar a precisão de suas
palavras.
Abraços carinhosos de
Theresa Catharina
SONHOS DESFEITOS NÃO MATAM IDEAIS
Dedicado a Áureo César Coelho do Valle*
Sonhos desfeitos ,
como as perdas e ausências
de entes queridos,
são golpes da vida,
mas nenhuma dessas tristezas
tão profundas quanto o sofrimento
que nos infligem, dolorosamente,
têm o poder de matar
nossos valores, nossos ideais.
Somente nós temos,
de acordo com a nossa vontade,
nossa fraqueza e ganância,
o poder de matar, destruir
nossos princípios, nossos ideais.
Sim, não adianta negar:
reconhecer precisamos
que desculpa não há
para nossas indecisões,
os silêncios de omissão,
as fraquezas e indignas ações.
Porque apenas nós podemos
silenciar, esquecer e matar,
nossos valores, nossos ideais.
Cabe a nós protegê-los,
fortalecer nossa vontade,
fugir da ganância e do mal,
para que esses princípios
além da morte sejam cultivados .
Porque são a nossa herança,
nosso maior patrimônio,
para nós e outras gerações.
Vivem além da morte,
nossos valores, nossos ideais.
Os sonhos desfeitos nos trazem lágrimas.
Os ideais e valores as enxugam
e de novo para a vida nos despertam.
Que desculpa é essa,
de que as ilusões,
os muitos sonhos desfeitos,
fizeram ruir princípios,
ideais e valores...
se nem a morte pode
destruí-los?
Sonhos desfeitos
vêm com o dom da vida,
assim como as perdas,
tão inevitáveis como dolorosas.
Mas ideais e valores nascem
de nossa vontade e decisão,
de nosso caráter cultivado
ao longo da vida, antes de
mergulharmos na luz invisível,
desconhecida, da eternidade.
Quando somente o espírito -
a alma vencedora, imortal -
em sua plenitude existir,
nossos ideais e valores
permanecerão com vida,
falando em nosso nome,
luminosos como a estrela de Belém,
apontando o caminho, orientando,
em honra a nós construindo.
Porque sonhos desfeitos
ideais não matam ...
os sonhos renovam,
ideais reafirmam,
valores consolidam.
Na verdade, sonhos desfeitos
nos dão a maravilhosa oportunidade
de nos fazer repetir ,
com a fé da rotina heróica,
a essência do melhor
que cultivamos em nós.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 26 de dezembro de 2008
*SOBRE O MEU POEMA "SONHOS DESFEITOS NÃO MATAM
IDEAIS"
Escrevi "Sonhos desfeitos não matam ideais"
porque o economista,
auditor da receita federal e professor Áureo
César Coelho do Valle, em
10 de dezembro/2008, relembrou como eu era na
Faculdade...suas
palavras me decidiram a registrar o que ele
falou, sua afirmação de
que , ao ler o meu livro mais recente - "
Pensamentos para ser, agir e
viver melhor", confirmou que ali estavam os
mesmos valores e ideais
que eu tinha, quando nos tornamos colegas e
amigos, no Curso de
Jornalismo (FNFi - Universidade do Brasil, hoje
Universidade Federal
do RJ ), desde março de 1963...e que me tornei a
cada dia mais
determinada na minha fé. Fiquei profundamente
comovida quando Áureo
César , de forma espontânea, fez esse
comentário.
Estávamos os três - ele, sua esposa Ione e eu
sentados à mesa de sua
hospitaleira cozinha, compartilhando uma
refeição deliciosa. Que
generosa hospitalidade - me receberem em sua
residência - e dizer
essas palavras que tanto me emocionaram! Só
mesmo na casa de amigos se
tem uma experiência afetuosa como a que
vivenciei, uma autêntica
dádiva de Natal, merecedora de registro porque
perdura para sempre em
nossa memória, em nosso coração.
Theresa Catharina de Góes Campos
Brasília -DF, 28 de dezembro de 2008 |
|